29 de janeiro de 2012

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)!

> Simin (Leila Hatami) está se divorciando do marido Nader (Peyman Moaadi) pois ele não está disposto a sair do Irã com a esposa e a filha e deixar o pai já bastante idoso e com mal de Alzheimer para trás. Simin sai de casa e então Nader contrata Razieh (Sareh Bayat) para cuidar de seu pai enquanto ele trabalha. Durante um mal entendido um acidente acontece na casa de Nader e fará com que a família dele e de Razieh, que está grávida, se envolvam em um julgamento onde a religião, a moral e a falta de comunicação serão os verdadeiros cukpados.

> O cinema iraniano que está sendo exportado nas duas últimas décadas trata sobre as problemáticas contemporâneas enfrentadas pela população do país e que quase sempre envolvem a religião – islamismo -, os direitos humanos e busca pela igualdade vinda de alguma classe oprimida. E essa proximidade com o real é que faz com que os filmes feitos no Irã ganhem cada vez mais o público ocidental, pois o Ocidente sempre teve e ainda tem muita curiosidade de como se comportam pessoas com culturas completamente diferentes em vista de problemas muitas vezes iguais. O realismo do cinema iraniano é diferente do realismo empregado pelo cinema brasileiro, enquanto lá eles buscam voltar seus enredos para dramas pessoais contextualizados nos problemas da nação, aqui vemos os problemas da nação de maneira generalizada descarregados em cima de um determinado grupo da sociedade. Tentando ser mais claro, enquanto o cinema iraniano tenta mostrar os conflitos de uma família conservadora na periferia do país tentando se moldar à sociedade e se basear no Islã simultaneamente, o cinema brasileiro prefere mostrar que a favela como um todo, ou os políticos como um todo, são sempre basicamente iguais e sofrem basicamente dos mesmos problemas.

> O diretor e roteirista Asghar Farhadi consegue um feito incrível aqui que é conseguir mostras as diferentes faces de um problemas sem induzir a opinião do espectador para algum dos lados. Em alguns momentos vai parecer que ele está se mostrando contra ou a favor de algum dos personagens, mas quanto mais se pensa mais se percebe que o filme está sendo imparcialmente perfeito. O elenco é bom, como de todos os filmes iranianos que são premiados. É um filme onde o drama está abrigado na complexidade do que parece ser simples, a tradição contra a necessidade e o acaso contra a oportunidade, para determinado ponto de vista.

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