10 de fevereiro de 2012

O Artista (The Artist)!

> O ator George Valentin (Jean Dujardin) é o astro do momento na Hollywood da década de 20 e protagoniza vários filmes mudos com seu carismático cachorro. Porém, com o advento do cinema falado a indústria cinematográfica pede por novas estrelas e por mais filmes para se ouvir e George, que se recusa a seguir esse novo modelo de filmes, então sofrerá um decréscimo de atenção e sucesso em sua carreira, ao passo que Peppy Miller (Bérénice Bejo) verá nessa mudança sua oportunidade para o sucesso.

> Uma das razões para o bom resultado de “O Artista” é a ousadia e criatividade de ir além no quesito homenagem. A ideia ser bastante simples – um filme mudo e sem cores sobre a indústria dos filmes mudos e sem cores – também contribui para o sucesso do filme. Contudo, é importante ressaltar que essa ideia apenas resultou bem pelos fatores “mudo” e “preto e branco” porque sim, o roteiro não estabelece algo novo e sim, ele tem algumas semelhanças com “Cantando na Chuva”.

> Quem assistiu algum dos filmes do Agente 117 também com o diretor Michel Hazanavicius e com o ator Jean Dujardin sabe que o diretor é bem caricato no sentido de pegar um filme de determinado estilo, nesse exemplo as espionagens dos anos 60 de James Bond, e fazer algo parecido e cômico sem tirar o prestígio do gênero. E Jean Dujardin é também um ator bastante expressivo e que cabe de maneira justa em seus personagens, na verdade é difícil imaginar qualquer outro ator, ainda vivo, em um personagem que exige tanto, ele está magistral. A atriz que compõe o casal principal é Bérénice Bejo, uma graciosa atriz argentina não muito conhecida internacionalmente até então e que, apesar de ser considerada coadjuvante em alguns prêmios, é tão protagonista quanto Jean aqui. Forte atrativo nos filmes mudos é a trilha sonora e “O Artista” tem uma muito bem pensada e executada por Ludovic Bource que cumpre a impertinente função de uma trilha já famosa.

> “O Artista” não deve ser considerado apenas como “aquele filme mudo do Oscar”, ele representa toda uma inteligência que ainda vive no cinema mundial e que usa o básico como atrativo. É um soco no estômago do cinema contemporâneo, por assim dizer, que apela apenas para o estético e esquece a boa história, a história bem contada e até mesmo o bom senso.

0 comentários:

Postar um comentário