22 de dezembro de 2012

Argo !

> Em 4 de novembro de 1979, enquanto a revolução iraniana atinge seu ápice, militantes atacam a embaixada dos EUA e tomam 52 americanos como reféns. Mas em meio ao caos, 6 pessoas conseguem escapar e se refugiam na casa do embaixador canadense. Sabendo que é apenas questão de tempo até serem encontrados e mortos, o especialista da CIA em “exfiltração”, Tony Mendez (Ben Affleck), arquiteta um arriscado plano para colocá-los com segurança para fora do país. 
Hollywood e a política americana estão mais interligadas do que se é divulgado. No início da década de 80, Tony Mendez viu no cinema a ideia perfeita para tirar seis norte-americanos que estavam no Irã, se refugiando na embaixada canadense. Em apenas uma semana, junto com a ajuda do maquiador ganhador do Oscar John Chambers (John Goodman) e do produtor Lester Siegel (Alan Arkin) eles criaram um falso filme de ficção científica, chamado “Argo”, que obviamente não saiu do papel, para poder levar Mendez ao Irã e sair com os seis refugiados.
 
> O ponto de vista político do longa Argo tem sido bastante discutido, porém uma das perspectivas que mais me chamou a atenção na produção, é como a globalização e a “americanização” da cultura pode alterar essas questões políticas de maneira a salvar vidas. Argo mostra que os estadunidenses podem ser tão ufanistas e politicamente envolvidos quanto os iranianos, sendo capazes de criarem planos tão absurdamente improváveis para intervirem em questões e problemas maiores que suas alçadas podem suportar, fazendo nascer o “herói”. É interessante também ver como a cultura e o cinema puderam ligar países quando a educação e filantropia, por exemplo, já não eram opções de ajuda.

> Além da questão política, Argo mostra também o quão sedenta por lucros e desestabilizada (mas mesmo assim, ainda digna de credibilidade) Hollywood estava no início da década de 80, sendo possível a criação, aprovação e divulgação de projetos de filmes com roteiros fracos, mas com baixo custo e alta demanda por grandes bilheterias. Diga de credibilidade, pois, uma falsa mistura de Flash Gordon com Star Wars criada em apenas uma semana foi suficiente para repercutir em vários canais de mídia nacionais e internacionais.

> Ben Affleck mais uma vez prova que é um diretor de mão cheia e sabe usar misturar diferentes técnicas de filmagem para resultar em um filme maduro, sincero e envolvente. Com uma edição de cena bem construída em perfeita sincronia com uma trilha sonora empolgante, Argo cria momentos de puro êxtase equilibrados com momentos mais dramáticos, onde a tensão se intensifica a ponto de se tornar quase palpável. Destaque também para o trabalho de direção de fotografia e para os atores John Goodman e Alan Arkin. É incrível como uma história real pouco conhecida, e bastante inusitada, somada a uma direção competente e a um dos melhores roteiros do ano pode virar um thriller exemplar.

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