22 de dezembro de 2012

Gonzaga - de Pai pra Filho !

> Um pai e um filho, dois artistas, dois sucessos. Um do sertão nordestino, o outro carioca do Morro de São Carlos; um de direita, o outro de esquerda. Encontros, desencontros e uma trilha sonora que emocionou o Brasil. Esta é a história de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e Gonzaguinha, o seu filho, cantor e compositor, e de um amor que venceu o medo e o preconceito e resistiu à distância e ao esquecimento.

> Breno Silveira volta com mais uma comovente história de cantores populares brasileiros que tiveram relações paternas, digamos, conturbadas, mas edificantes. Dessa vez focada em pai e filho, personagens nordestinos da História da Música Popular Brasileira. Ambos com perspectivas de vida diferentes, criações diferentes e objetivos culturais diferentes.

> Luiz Gonzaga, nascido e criado em Exu, interior de Pernambuco, teve seu pai, Januário, como um amigo e exemplo de vida. Gonzaguinha buscava isso em Gonzagão mas quase nunca o encontrava em casa ou não tinha coragem e intimidade para pedir mais atenção dele. Gonzagão teve o seu filho de certa forma em um momento em que estava desestruturado financeiramente, mas sempre se preocupou em dar-lhe tudo o que fosse possível de qualidade, porém, como precisava rodar o Brasil em seus shows, faltaram a ele a presença, o afeto e a atenção de maneira direta. Gonzaguinha deixou o sentimento de carência se transformar em revolta, amargura e ódio que culminaram com várias discussões entre eles, até que todas as feridas do passado fossem curadas. Diferente de "2 Filhos de Francisco", a história aqui é um tanto mais profunda pois, dependendo do ponto de vista que é analisada, pode ter várias causas, ou pode ser apenas um mal entendido causado pela falta de diálogo familiar.

> O filme fica bastante fácil de ser compreendido, em sua linha temporal, por causa da edição do filme que poderia ser prejudicada pelos excessos de flashbacks, mas que entrelaça as duas narrativas – as biografias do pai e do filho – de uma maneira que mantêm sempre a unidade. O elenco está muito bem, até mesmo o cantor Chambinho do Acordeon que interpreta Luiz Gonzaga dos 25 aos 50 anos e que nunca tivera trabalhado como ator antes. Destaque também para o belíssimo trabalho de fotografia de Adrian Teijido e para a envolvente e consequente trilha sonora.

> Nota-se, no filme, uma Imparcialidade no sentido em que não tenta mostrar qual a visão, de pai ou de filho, está mais correta, e ganha pontos ao mostrar que ambas são compreensíveis. Por fim, endossamos o que já é conhecido: relações familiares sempre quase sempre são conflituosas quando se tem uma vida artística profissional e que Luiz Gonzaga é um dos pioneiros na disseminação da cultura nordestina em toda sua riqueza, para o sul e sudeste brasileiro.

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