8 de junho de 2013

O Grande Gatsby (The Great Gatsby)!

O Grande Gatsby segue a história do aspirante a escritor Nick Carraway (Tobey Maguire), que deixa o
meio-oeste em direção a Nova York, na primavera de 1922, época em que a moralidade tornava-se menos rígida, o jazz explodia e bebidas ilegais criavam impérios. Em busca de seu Sonho Americano, Nick se muda para a casa vizinha de um misterioso milionário festeiro, Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), quando vai viver do outro lado da baia com sua prima, Daisy (Carey Mulligan), e o marido dela, o filantropo de sangue-azul, Tom Buchanan. Aqui, Nick é atraído pelo cativante universo dos milionários, suas ilusões, amores e traições. Usando esse mundo como inspiração, começa e escrever um conto sobre amores impossíveis, sonhos incorruptíveis e tragédias atemporais.

> Ter a oportunidade de assistir a uma longa do diretor Baz Luhrmann na tela de um cinema é uma experiência ímpar. O diretor dos exageros traz uma versão de encher os olhos do clássico romance de F. Scott Fitzgerald. O Grande Gatsby já teve três versões cinematográficas anteriores, sendo a mais famosa a de 1974 com Robert Redford e Mia Farrow no elenco, direção de Jack Clayton e roteiro de Francis Ford Coppola.

> Os amigos de infância Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire trabalham de maneira notável no filme; destaque para o imponente Joel Edgerton e para. Assim como em Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001) parte da trilha sonora do drama é composta por músicas já existentes que tematizam alguns momentos do filme. Beyoncé, Jack White, Fergie e Florence and the Machine (dentre outros artistas) colaboram para essa trilha musical que é um espetáculo a parte; não que todas as novas versões feitas para o filme tenham ficado boas, mas a aplicação da contemporaneidade musical - cujo berço é os movimentos musicais da época da Grande Crise - em meio a todo o jazz dos aos 20 resultou numa combinação que ajuda a representar toda a efervescência cultural norte-americana do período. O hip hop, por exemplo, vem mostrando que pode casar muito bem em um épico dependendo da ocasião, como se viu em Django Livre (2012).

> Ainda lembrando Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001) e Romeu + Julieta (1997), O Grande Gatsby é marcado, e marcante, pela sua estética que não poupa recursos visuais, seja na direção de arte, ou no figurino, ou nos efeitos (inclusive no 3D). Alguns críticos internacionais reclamaram de toda essa pompa estilística, tradicional de Baz Luhrmann, afirmando que inibia o roteiro e se distanciava do afiado romance original. Mas vejo que o deslumbramento imagético veio a complementar o roteiro e tornar o filme mais instigante. Evito comparações, mas algumas vezes elas são necessárias: de que vale uma nova adaptação cinematográfica se não acrescenta ou modifica outra já existente? O filme de 1974 conta uma versão mais amena e mais sólida da história, recheada de deliciosas canções de jazz; é um filme minimalista, de certo ponto. Baz, porém resolveu usar toda a sua criatividade e seus excessos para criar o clima caótico dos bon vivants que amavam a superficialidade do “sonho americano”.

> Todos os segredos, mentiras, traições, hipocrisia e, por que não diversão, de uma sociedade que visava a ostentação acima de qualquer outra coisa são expostos da mesma maneira, clara, que são apresentados no romance. Como todas as obras literárias, e ainda mais as cultuadas dentro e fora de seu país, nenhuma adaptação fílmica ou teatral chegará a abarcar toda a completude narrativa ou semântica do texto, mas eis ai o grande desafio de uma adaptação, fazer com que o público, que (boa parte) já conhece bem a história, compre as escolhas do diretor e do estúdio. E por mais que não se tenha gostado de muitas das escolhas feitas, O Grande Gatsby é um filme que marcará e será lembrado pela sua grandeza e por seu brilho.

> O romance O Grande Gatsby estava mesmo precisando de uma nova adaptação, não só por serem tempos de novos recursos cinematográficos, mas pela obrigação de se apresentar Fitzgerald para as novas gerações. E me alegra o fato de essa nova adaptação ter caído nas mãos do talentoso Luhrmann. 

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